O Brasil deu um novo passo para ampliar a segurança do abastecimento de medicamentos derivados do plasma no Sistema Único de Saúde (SUS). A Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia (Hemobrás) e a chinesa Tiantan Bio firmaram, em 2 de outubro de 2026, um acordo de cooperação voltado à imunoglobulina humana de uso intravenoso. O anúncio ocorreu durante um encontro da estatal realizado em São Paulo.
Segundo o Ministério da Saúde, a parceria prevê cooperação para o registro do produto no país, fornecimento à Hemobrás, licenciamento e transferência de tecnologia. O acordo, porém, não representa uma produção imediatamente integralmente nacional: as próximas etapas dependerão das exigências regulatórias da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e de instrumentos específicos que ainda definirão os detalhes comerciais e tecnológicos.
Imunoglobulina é usada em diferentes tratamentos
A imunoglobulina humana intravenosa é utilizada no tratamento de imunodeficiências, infecções bacterianas e alguns tipos de câncer do sangue. Por ser um medicamento associado a diferentes condições clínicas, a regularidade do fornecimento é considerada estratégica para a assistência oferecida pelo SUS.
A cooperação com a Tiantan Bio está inserida em uma estratégia mais ampla do governo federal para reduzir a dependência externa na área de hemoderivados. A transferência de tecnologia pode contribuir para ampliar a capacidade brasileira nesse segmento, mas a efetivação do processo dependerá do cumprimento das fases sanitárias e dos acordos complementares previstos entre as instituições.
Investimento amplia armazenamento de plasma
Além do acordo internacional, o Ministério da Saúde informou a distribuição de 604 equipamentos para 125 serviços da hemorrede nas 27 unidades federativas. O investimento anunciado é de R$ 116 milhões. Conforme a pasta, a estrutura deverá elevar em aproximadamente 30% a capacidade de armazenamento de plasma para uso industrial.
O plasma é a matéria-prima utilizada na fabricação de imunoglobulina, albumina e fatores de coagulação. Com mais capacidade de armazenamento, a rede poderá melhorar as condições para encaminhar esse material ao processamento industrial, fortalecendo uma etapa essencial da cadeia nacional de medicamentos derivados do sangue.
A medida também alcança a organização dos serviços de hemoterapia. Foi anunciado um mecanismo de incentivo federal mensal, com previsão de distribuição de R$ 38 milhões conforme critérios como qualidade da gestão, eficiência operacional, capacidade de envio de plasma à Hemobrás, aumento das doações voluntárias e redução do desperdício de hemocomponentes.
Hemobrás atua na cadeia de hemoderivados
De acordo com informações institucionais da Hemobrás, a empresa fornece ao SUS imunoglobulina, albumina e fatores de coagulação, além de atuar na gestão do plasma excedente coletado pelos serviços de hemoterapia. A estatal também mantém uma rede de serviços qualificados para o fornecimento dessa matéria-prima.
Essa estrutura conecta as etapas de coleta, qualificação, armazenamento e aproveitamento industrial do plasma. O objetivo é dar maior previsibilidade à produção e ao fornecimento de medicamentos estratégicos, ao mesmo tempo em que se busca reduzir perdas e ampliar o aproveitamento de doações realizadas na rede pública.
Próximas etapas dependem de aprovação sanitária
O acordo entre a Hemobrás e a Tiantan Bio ainda precisa avançar nas etapas regulatórias e nos entendimentos específicos sobre fornecimento, licenciamento e tecnologia. O registro do produto no Brasil deverá observar as regras da Anvisa, enquanto os termos comerciais e operacionais serão detalhados em documentos próprios.
Na prática, a iniciativa combina duas frentes: a ampliação das fontes de abastecimento de imunoglobulina e o fortalecimento da infraestrutura nacional de plasma. Para os usuários do SUS, o resultado esperado é uma cadeia mais estruturada para apoiar a disponibilidade de tratamentos utilizados em doenças do sangue, imunodeficiências e outras condições clínicas.
Com os investimentos na hemorrede e a cooperação tecnológica anunciada em São Paulo, o governo federal pretende aumentar a autonomia brasileira em hemoderivados. A produção nacional de imunoglobulina, contudo, dependerá da conclusão das exigências regulatórias e da implementação dos acordos que serão firmados nas próximas fases.


