NOAA confirma fenômeno climático com probabilidade de intensidade forte entre julho e setembro, aumentando risco de estiagem e queimadas no estado
O clima do Piauí entrou novamente no radar de especialistas climáticos em 2026. A confirmação veio do Centro de Previsão Climática da agência americana NOAA, que oficializou o estabelecimento das condições de El Niño em 11 de junho, após o monitoramento das temperaturas do Oceano Pacífico atingir os critérios técnicos necessários para caracterizar o fenômeno (fonte: Info Newss).
Como o fenômeno foi identificado
Segundo o climatologista Pedro Aderaldo, da Sala de Monitoramento e Previsão de Eventos Climáticos Extremos da Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Piauí (Semarh), a confirmação ocorreu após ser identificada uma temperatura acima de 0,5 grau na região 3.4 do Pacífico, totalizando entre 0,7 e 0,8 grau, com temperaturas superiores a 2 graus registradas em áreas próximas à costa da América do Sul. As projeções indicam que o fenômeno deve permanecer ativo até o final do verão de 2026/2027.
A probabilidade de um El Niño forte
De acordo com boletim divulgado por painéis climáticos que reúnem diferentes centros de previsão, há 100% de probabilidade de permanência do El Niño entre julho e setembro, e cerca de 99% de chance de que o fenômeno apresente intensidade forte durante esse período. O Piauí está inserido na área do Nordeste apontada como uma das mais suscetíveis aos efeitos do fenômeno neste ciclo (fonte: Cidadeverde.com).
Os primeiros sinais já sentidos pela população
Segundo o climatologista Werton Costa, os efeitos do El Niño já começaram a ser percebidos pela população piauiense ainda em junho, principalmente durante a noite. “Já estamos percebendo à noite, principalmente na capital, temperaturas bem mais aquecidas que a média normal para o período”, explicou o especialista, atribuindo o fenômeno à baixa cobertura de nuvens e à maior incidência de radiação solar (fonte: Portal O Dia).
Os riscos para agricultura e pecuária
Segundo o painel climático, o cenário de menor volume de chuvas aliado a temperaturas elevadas pode reduzir a disponibilidade de água no solo, aumentar a evaporação e comprometer tanto as atividades agrícolas quanto a pecuária na região. A combinação entre calor intenso e precipitações abaixo da média também favorece a ocorrência de ondas de calor e amplia o potencial de queimadas no Nordeste, no Centro-Oeste e em parte da região Norte do país, incluindo áreas do Matopiba, que engloba o Piauí, o Maranhão, o Tocantins e a Bahia (fonte: Diário do Comércio).
O contraste com outras regiões do país
Enquanto o Nordeste, incluindo o Piauí, deve enfrentar chuvas abaixo da média no trimestre de julho a setembro, a Região Sul do Brasil segue na direção oposta, com previsão de precipitações acima da normalidade. Esse contraste climático entre regiões reforça a complexidade do fenômeno El Niño, que não afeta o país de maneira uniforme, exigindo que cada estado acompanhe boletins regionais específicos em vez de generalizar previsões nacionais.
Um cenário que já mostra sinais de melhora pontual
Apesar do alerta, o Nordeste como um todo já vinha de um cenário climático relativamente melhor em maio, quando a região deixou de registrar áreas com seca grave, com 38% do território livre de seca, o melhor resultado desde julho de 2024. Ainda assim, mais de um terço do Nordeste permanece com seca moderada, o que reforça a necessidade de atenção diante da tendência de redução das chuvas prevista para o segundo semestre.
O que a população e produtores devem observar
Diante desse cenário, a orientação de órgãos como a Semarh é que produtores rurais e moradores acompanhem de perto os boletins climáticos divulgados periodicamente, já que a intensidade do El Niño pode variar e cada episódio tem características próprias. A recomendação para o setor produtivo é planejar o uso da água com antecedência e adotar medidas preventivas contra queimadas, especialmente durante os meses de maior estiagem previstos para o restante de 2026.


