O médico cirurgião plástico, Milton Seigi Hayashi, apresenta que a cirurgia plástica é frequentemente associada a mudanças visíveis, mas sua atuação mais profunda acontece ao longo do tempo, no acompanhamento e na reabilitação do paciente. Em procedimentos reconstrutivos, especialmente aqueles que envolvem condições congênitas ou adquiridas, o sucesso não depende apenas da técnica cirúrgica, mas de uma abordagem integrada e contínua.
Este artigo aborda como a cirurgia plástica moderna compreende o cuidado como processo, e não como evento isolado. A partir de evidências científicas, discutem-se os impactos funcionais, emocionais e sociais da reconstrução, mostrando como decisões bem fundamentadas contribuem para a qualidade de vida, a autoestima e a integração do paciente em diferentes contextos ao longo de sua jornada de saúde. Leia mais a seguir!
O que caracteriza a cirurgia plástica reconstrutiva além da correção estética?
A cirurgia plástica reconstrutiva tem como objetivo restaurar forma e função em situações que comprometem o desenvolvimento, a comunicação ou a integração social do paciente. Diferentemente de procedimentos estritamente estéticos, ela lida com desafios que se estendem por anos, exigindo acompanhamento contínuo e avaliações periódicas. Casos como fissuras orofaciais ilustram bem essa complexidade, pois envolvem alterações anatômicas que impactam a fala, a alimentação e a convivência social.

Compreender essa distinção é essencial para alinhar expectativas e planejar o cuidado de maneira realista. A reconstrução não se limita ao ato cirúrgico, mas inclui etapas sucessivas de avaliação e ajustes conforme o paciente cresce e se desenvolve, explica Hayashi. Essa visão amplia o papel do cirurgião plástico, que passa a atuar como parte de uma rede de cuidados estruturados e de longo prazo.
Por que a abordagem multidisciplinar é fundamental na reabilitação?
A reabilitação em cirurgia plástica raramente ocorre de forma isolada. Em muitos casos, especialmente nos reconstrutivos, a atuação conjunta de diferentes profissionais é determinante para o sucesso do tratamento. Fonoaudiólogos, psicólogos, dentistas e outros especialistas contribuem para resultados funcionais e emocionais mais complexos, garantindo que o cuidado vá além da correção anatômica.
Milton Seigi Hayashi reconhece que a abordagem multidisciplinar amplia a compreensão do paciente como um todo. Ao integrar diferentes áreas, torna-se possível identificar necessidades específicas e ajustar condutas ao longo do tempo. Essa estratégia reduz riscos, melhora a adesão ao tratamento e fortalece o acompanhamento, elementos fundamentais para a construção de resultados sustentáveis e seguros.
Como a reabilitação impacta a qualidade de vida ao longo do tempo?
A reabilitação influencia diretamente a qualidade de vida ao permitir que o paciente desenvolva habilidades funcionais e sociais de maneira progressiva. Em situações que envolvem reconstrução, o impacto vai além do aspecto físico, alcançando autoestima, comunicação e participação social. O cuidado contínuo ajuda a minimizar limitações e a promover maior autonomia ao longo das diferentes fases da vida.
Na prática clínica, Hayashi observa que a reabilitação bem conduzida contribui para um processo mais previsível e humano. Quando o paciente entende que o tratamento é uma jornada, e não uma solução imediata, o vínculo com a equipe se fortalece. Esse entendimento favorece decisões mais conscientes e expectativas mais equilibradas, refletindo positivamente no bem-estar geral.
Qual o papel do acompanhamento contínuo na cirurgia plástica reconstrutiva?
O acompanhamento contínuo é um dos pilares da cirurgia plástica reconstrutiva. Isso porque, como expõe Milton Seigi Hayashi, ele permite avaliar a evolução do paciente, identificar precocemente necessidades de intervenção e ajustar estratégias conforme mudanças funcionais e emocionais. Sem esse acompanhamento, mesmo uma cirurgia tecnicamente bem executada pode não alcançar todo o seu potencial de benefício.
O seguimento regular reforça a responsabilidade profissional e a segurança do cuidado. O acompanhamento cria espaço para orientação, esclarecimento de dúvidas e fortalecimento da relação médico-paciente. Essa proximidade contribui para decisões mais alinhadas à realidade de cada indivíduo, reduzindo frustrações e promovendo uma experiência mais positiva ao longo do tratamento.
Por que reconstrução e reabilitação devem ser vistas como processo de cuidado?
Encarar a reconstrução e a reabilitação como processo significa reconhecer que o cuidado se estende no tempo e exige adaptação constante. A cirurgia plástica, nesse contexto, atua como parte de um plano mais amplo de saúde, que envolve desenvolvimento, integração social e bem-estar emocional. Essa perspectiva amplia o impacto do tratamento e reforça seu valor para o paciente e para a comunidade.
A partir disso, Milton Seigi Hayashi conclui que decisões baseadas em evidência e acompanhamento estruturado são fundamentais para resultados duradouros. Quando o cuidado é planejado como processo, a cirurgia plástica cumpre seu papel de forma mais ética e responsável, contribuindo para a qualidade de vida e a autoestima de maneira consistente e sustentável.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez


